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29 de dez de 2007

Grandes Mulheres - CHIQUINHA GONZAGA



Nome : Francisca Edwiges Neves Gonzaga
Nascimento : 17/10/1847
Falecimento: 28/02/1935

Chiquinha era uma mulher sem medo de expor seus sentimentos, sem medo de viver e de sentir. Apaixonada pela música , foi compositora, instrumentista e regente. Por desafiar os padrões da época Chiquinha foi alvo de preconceitos.
Era dona de uma sensibilidade exacerbada. Conseguiu perceber a alegria e singularidade de uma festa popular, como o carnaval e eternizá-lo numa marchinha que todos lembramos até hoje: “Ô Abre Alas”.
Educada para ser uma “dama” da corte de D Pedro II, filha de uma mulher mestiça e de um respeitado militar, Chiquinha aprende a tocar piano e de imediato se apaixona pela música, assinando sua primeira composição aos 11 anos: Canção dos Pastores, que era uma música natalina.
Numa época de total submissão feminina, sustentada por uma sociedade patriarcal, onde os interesses e valores eram absolutamente masculinos, Chiquinha rompe com o convencional, mas às custas de muito sofrimento. Seu pai renegou-a quando ela abandonou o primeiro marido – Jacinto Ribeiro do Amaral. Um homem distinto e elegante que, para a sociedade da época, a elevaria, ao status de dama.
Às mulheres cabia a função do servir, que era o que a sociedade lhes cobrava. Lembremo-nos que a estrutura econômica brasileira estava baseada na escravidão, também com forte opressão e sem liberdade alguma. Da mesma maneira que o escravo era propriedade do homem, era sua a casa, os filhos e obviamente a mulher. A mulher era sua propriedade e isso lhe era assegurado por lei. Era seu o direito sobre o corpo da esposa. Não havia espaço para as críticas e muito menos para a quebra de normas.
Quando se separa de Jacinto, além de toda a recriminação que sofreu, Chiquinha não tinha para onde ir. Assim, é acolhida pela boemia carioca. O Rio de Janeiro neste período vivia uma crescente urbanização e ganhava formas de metrópole, com o comércio exterior, e pelo porto com o comércio de diversas mercadorias, de escravos e de café. Essas mudanças também alteraram os modos de vestir e as construções que ganhavam linhas européias.
Neste meio, Chiquinha Gonzaga conhece o flautista Joaquim Antônio da Silva Callado que logo a incorpora ao Choro Carioca.
Mas o que nos mostra os fatos da vida desta mulher é uma visão muito além do seu tempo. Chiquinha acreditou na igualdade dos sexos, lutou pela abolição dos escravos, participou da campanha republicana, enxergava a sociedade em que vivia e não se contentava. Muito menos, ainda, se conformava. Foi pioneira em muitas coisas: participou junto com Callado da criação do estilo “Choro”, escreveu “Ô Abre Alas” que foi a primeira marcha carnavalesca, foi a primeira maestrina. Chiquinha também fundou a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) que existe até hoje para defender os direitos dos artistas.
Chiquinha teve uma história de luta e conquistas impressionantes dentro da sociedade em que vivia, passando por cima dos preconceitos e discriminações, sendo reconhecida – mesmo que tardiamente – como a maior personalidade feminina da história da música popular brasileira.

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